Pouca gente fala sobre isso, mas a placa do escritório também é publicidade jurídica.
Muitos advogados se preocupam com redes sociais, posts e anúncios, mas acabam esquecendo que a comunicação ética começa na porta do escritório. E é justamente aí que surgem erros silenciosos — e perigosos.
Expressões como:
- “Excelência em soluções jurídicas”
- “Agilidade e eficiência”
- “O melhor escritório da região”
- “Resultados rápidos e seguros”
Podem parecer inofensivas. Até comuns.
Mas, do ponto de vista do marketing jurídico e da ética profissional, não são permitidas.
Neste artigo, você vai entender:
- Por que frases persuasivas em placas são proibidas
- O que a OAB entende como autoengrandecimento
- Onde muitos advogados erram sem perceber
- Como usar a placa do escritório de forma ética e estratégica
A placa do escritório é publicidade — goste ou não
Esse é o primeiro ponto que todo advogado precisa compreender.
A OAB não diferencia:
- Publicidade digital
- Publicidade impressa
- Publicidade física
Se comunica sua atuação profissional ao público, é publicidade jurídica.
Isso inclui:
- Placa na fachada
- Letreiro interno
- Totem
- Cartões de visita
- Papel timbrado
Ou seja: as mesmas regras éticas valem para a placa do escritório.
O que diz a OAB sobre linguagem persuasiva e autoengrandecimento
O Provimento 205/2021, do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, reforça princípios que já existiam no Código de Ética da Advocacia.
Entre eles, a vedação a:
- Autoengrandecimento
- Comparação com outros profissionais
- Linguagem persuasiva ou promocional
- Promessa, ainda que implícita, de resultados
Quando um advogado utiliza termos como “excelência”, “eficiência superior” ou “agilidade garantida”, ele está:
- Atribuindo valor subjetivo à própria atuação
- Se colocando em posição de superioridade
- Influenciando emocionalmente o público
Isso fere o caráter discreto e informativo que a publicidade jurídica deve ter.
Por que palavras como “excelência” são um problema?
Aqui está um ponto que passa despercebido.
“Excelência” não é uma informação objetiva.
É um juízo de valor.
Quem define se um serviço é excelente?
- O próprio advogado?
- O cliente?
- Um órgão externo?
Quando o profissional se autoatribui esse tipo de qualidade, ele entra no campo do marketing comercial, e não do marketing jurídico.
O mesmo vale para termos como:
- “Agilidade”
- “Qualidade máxima”
- “Atendimento diferenciado”
- “Resultados eficientes”
Mesmo sem mencionar vitórias ou promessas diretas, essas palavras persuadem e promovem.
“Mas todo mundo usa esse tipo de frase…”
Esse é um argumento comum — e perigoso.
No marketing jurídico, o fato de outros advogados usarem não torna a prática permitida.
Muitos profissionais:
- Replicam modelos antigos
- Copiam placas de colegas
- Seguem padrões comerciais
E acabam acumulando riscos éticos sem perceber.
Lembre-se: processo ético não começa com aviso, começa com denúncia.
O erro de posicionamento por trás das frases persuasivas
Aqui vai uma reflexão importante.
Quando um advogado sente necessidade de escrever “excelência” na placa, normalmente existe uma insegurança por trás:
- Medo de não ser notado
- Desejo de se diferenciar rapidamente
- Tentativa de competir com outros escritórios
Mas diferenciação, na advocacia, não se faz com adjetivos.
Se faz com:
- Reputação
- Conteúdo
- Clareza de atuação
- Consistência no posicionamento
A placa não é lugar de convencer.
É lugar de identificar.
O que PODE constar na placa do escritório de advocacia
Agora vamos ao caminho correto.
A placa pode conter informações objetivas e institucionais, como:
✔️ Nome do advogado ou do escritório
✔️ Número de inscrição na OAB
✔️ Área(s) de atuação (de forma genérica)
✔️ Endereço e identificação profissional
Exemplo ético:
“Fulano de Tal – Advogado
OAB/UF 00.000
Direito Civil e Trabalhista”
Simples. Discreto. Ético.
O que NÃO deve constar na placa do advogado
❌ Frases promocionais
❌ Adjetivos de valor
❌ Comparações implícitas
❌ Promessas de eficiência ou resultado
❌ Linguagem emocional ou persuasiva
A placa não é outdoor.
Não é anúncio.
Não é peça de convencimento.
Exemplo prático: placa inadequada x placa ética
❌ Placa inadequada:
“Excelência, agilidade e resultados em Direito do Trabalho”
✔️ Placa adequada:
“Escritório de Advocacia
Atuação em Direito do Trabalho”
Percebe como a segunda cumpre o papel sem risco?
Marketing jurídico não começa nas redes — começa na base
Aqui está um ponto que poucos advogados percebem.
Não adianta:
- Ter conteúdo ético nas redes
- Ser discreto no Instagram
- Evitar anúncios irregulares
Se a fachada do escritório viola princípios éticos.
O marketing jurídico é coerência.
Tudo comunica. Tudo posiciona.
A virada de chave: menos persuasão, mais autoridade
Advogados não precisam convencer ninguém com frases de impacto.
Autoridade jurídica se constrói com:
- Postura
- Comunicação clara
- Presença profissional
- Respeito às normas
Quem precisa se autopromover, ainda não construiu reputação suficiente.
E isso não é crítica.
É consciência estratégica.
Conclusão: advogado pode usar frases persuasivas na placa do escritório?
Não.
A OAB veda o uso de linguagem persuasiva, autoengrandecimento e comparações, inclusive em placas e materiais físicos do escritório.
Termos como “excelência”, “agilidade” e “resultados” extrapolam o caráter informativo e aproximam a advocacia do marketing comercial — o que é proibido.
No marketing jurídico:
- A placa identifica
- O conteúdo educa
- A reputação diferencia
E quem entende isso, constrói autoridade sem correr riscos éticos.


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